Custo Fixo e Variável: A Diferença, com Exemplos e o Ponto de Equilíbrio

Controle financeiro empresarial gratuito - Guia para pequenas empresas
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A diferença entre custo fixo e variável cabe em uma pergunta: se você não vender nada este mês, essa conta ainda chega? Se chega, é fixo. Se some junto com as vendas, é variável.

Parece detalhe de contador, mas é a classificação que decide três coisas práticas: quanto você precisa vender para não ter prejuízo, quanto sobra de cada venda para pagar as contas do mês e se vale a pena aceitar um pedido grande com desconto.

Aqui você vai ver como classificar os seus custos, os casos que confundem todo mundo e as duas contas que saem dessa separação — margem de contribuição e ponto de equilíbrio —, com os números feitos passo a passo.

O que é custo fixo

Custo fixo é o que você paga independentemente de vender ou não. Ele não olha para o seu faturamento — chega igual no mês bom e no mês ruim.

  • Aluguel do ponto ou da sala
  • Salários e encargos da equipe fixa
  • Internet, telefone e energia na parte que não depende do movimento
  • Contador
  • Assinaturas de sistema, domínio, hospedagem
  • Seguros e taxas anuais rateadas por mês

Fixo não quer dizer imutável. O aluguel reajusta uma vez por ano e continua sendo custo fixo — o que define a categoria é não acompanhar o volume de vendas, não ser um valor congelado.

O que é custo variável

Custo variável nasce da venda. Vendeu o dobro, ele dobra; não vendeu nada, ele é zero.

  • Mercadoria ou matéria-prima do que foi vendido
  • Comissão do vendedor
  • Taxa da maquininha e do gateway de pagamento
  • Embalagem e frete
  • Impostos sobre a venda, quando são percentuais sobre o faturamento

Os casos que confundem

Três situações fazem quase todo mundo classificar errado — e o erro estraga as contas mais adiante:

O MEI e o DAS

O DAS do MEI é fixo. É um valor mensal que não muda com o faturamento, ao contrário do imposto de quem está no Simples com alíquota sobre a receita. Quem é MEI e classifica o DAS como variável subestima o custo fixo e acha que o ponto de equilíbrio é mais baixo do que é. Os valores de 2026 estão no guia do DAS MEI.

A conta de energia

Costuma ser as duas coisas. A parte da iluminação e do ar-condicionado que ficam ligados o dia inteiro é fixa; a do forno, da estufa ou da máquina que só roda quando tem pedido é variável. Não vale a pena rachar a conta ao centavo — separe por estimativa e siga em frente.

O salário com comissão

O fixo do vendedor é custo fixo, a comissão é variável. Lançar tudo junto como salário esconde exatamente a parte que cresce quando você vende mais.

Margem de contribuição: quanto sobra de cada venda

Separado o fixo do variável, aparece a conta mais útil das duas. A margem de contribuição é o que sobra de uma venda depois de pagar os custos variáveis dela — é esse dinheiro que “contribui” para cobrir os custos fixos do mês.

Fórmula: Margem de contribuição = Preço de venda − Custos variáveis da venda

Exemplo. Você vende uma peça por R$ 100. A mercadoria custou R$ 45, a maquininha cobra 3% (R$ 3) e o vendedor ganha 7% de comissão (R$ 7). Os custos variáveis somam R$ 55, então a margem de contribuição é de R$ 45 — ou 45% do preço.

Repare que isso não é lucro. É o que sobra para pagar aluguel, salário e contador. O lucro só começa depois que a soma das margens de contribuição do mês cobre todo o custo fixo. E também não é a mesma coisa que margem de lucro, que já desconta a parte dos custos fixos que cabe àquele produto.

Ponto de equilíbrio: quanto você precisa vender

O ponto de equilíbrio é o faturamento em que você não tem lucro nem prejuízo — as margens de contribuição do mês empataram com os custos fixos.

Fórmula: Ponto de equilíbrio = Custos fixos ÷ Margem de contribuição em percentual

Exemplo. A loja acima tem R$ 9.000 de custo fixo por mês e margem de contribuição de 45%. O ponto de equilíbrio é 9.000 ÷ 0,45 = R$ 20.000 de faturamento no mês. Vendeu R$ 20.000, empatou. Vendeu R$ 25.000, os R$ 5.000 a mais rendem 45% de lucro — R$ 2.250.

Por que esse número muda a decisão

  • Desconto tem limite claro. Baixar o preço corta direto a margem de contribuição, e o ponto de equilíbrio sobe. Um desconto de 10% naquela peça leva o preço a R$ 90: a mercadoria continua custando R$ 45, a maquininha cai para R$ 2,70 e a comissão para R$ 6,30. A margem vai de 45% para 40% — e o faturamento necessário para empatar sobe de R$ 20.000 para R$ 22.500
  • Custo fixo novo tem preço em vendas. Contratar alguém por R$ 2.000 significa vender R$ 4.444 a mais por mês, todo mês, só para continuar empatando
  • Dá para comparar produtos. Entre dois itens, o que tem maior margem de contribuição em reais é o que paga as contas mais rápido — mesmo que o preço de venda seja menor

Some ao ponto de equilíbrio o que você quer tirar de pró-labore e você tem a meta de faturamento do mês, não um número tirado do desejo.

Como acompanhar isso todo mês

As duas contas só valem se os números que entram nelas estiverem certos. Na prática, isso exige três coisas:

  • Conta bancária separada da pessoal. Enquanto o dinheiro estiver misturado, você não sabe qual é o custo fixo real da empresa — e o ponto de equilíbrio vira chute
  • Categoria em cada lançamento. É a categoria que permite somar os fixos de um lado e os variáveis do outro no fim do mês. Sem ela, refazer a conta significa reler o extrato linha por linha
  • Revisão quando algo muda. Reajuste de aluguel, contratação, mudança de fornecedor ou de taxa da maquininha mexem no ponto de equilíbrio. Recalcular leva dois minutos e evita descobrir tarde que a meta de vendas subiu

Em planilha isso funciona, desde que a disciplina de categorizar exista. Num sistema de gestão financeira, os lançamentos já entram categorizados e o relatório por categoria sai pronto — o que muda não é a conta, é o tempo até você ter o número na mão.

Some, divida e saiba a sua meta do mês

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Perguntas frequentes sobre custo fixo e variável

Qual a diferença entre custo fixo e variável?

Custo fixo você paga mesmo sem vender nada — aluguel, salário, contador. Custo variável só existe quando há venda e acompanha o volume dela — mercadoria, comissão, taxa da maquininha. O teste é sempre o mesmo: se as vendas fossem zero este mês, essa conta ainda chegaria?

Custo fixo pode mudar de valor?

Pode. O aluguel reajusta uma vez por ano e continua sendo fixo. O que define a categoria é não acompanhar o volume de vendas, não ser um valor congelado.

O DAS do MEI é custo fixo ou variável?

Fixo. O valor mensal não muda com o faturamento, diferente do imposto de quem está no Simples com alíquota sobre a receita. Classificar o DAS como variável faz o custo fixo parecer menor do que é e derruba artificialmente o ponto de equilíbrio.

Como calcular o ponto de equilíbrio?

Divida os custos fixos do mês pela margem de contribuição em percentual. Com R$ 9.000 de custo fixo e margem de 45%, o ponto de equilíbrio é 9.000 ÷ 0,45 = R$ 20.000 de faturamento.

Margem de contribuição é a mesma coisa que lucro?

Não. A margem de contribuição é o que sobra de uma venda depois dos custos variáveis dela — dinheiro que ainda vai pagar os custos fixos do mês. O lucro só começa depois que a soma das margens cobre todo o custo fixo.

E a conta de energia, é fixa ou variável?

Costuma ser as duas. A iluminação e o ar-condicionado ligados o dia inteiro são fixos; o forno ou a máquina que só roda quando tem pedido é variável. Separe por estimativa — não vale a pena rachar a conta ao centavo.

Comece pela classificação

Pegue os últimos três meses de despesas e passe uma a uma pela pergunta do começo: se eu não vendesse nada, essa conta chegaria? Some as que chegariam — é o seu custo fixo mensal. Depois calcule a margem de contribuição do que você mais vende e divida uma pela outra.

O número que sai dali é o faturamento que você precisa fazer para não perder dinheiro. Com ele na mão, decidir preço, desconto e contratação deixa de ser sensação e passa a ser conta.

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